Setembro Amarelo: Saúde mental no ambiente de trabalho

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é o mês em que se discute saúde mental e a conscientização sobre suicídio. Entretanto, falar sobre saúde mental no trabalho ainda é um tema tabu para muitas pessoas e empresas. Porém, o Ministério do Trabalho alerta que esse tema tem que ser abordado e discutido.

Segundo a pasta, em 2007, as notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho eram 122. Dez anos de depois, o número saltou para 8.621, 60% eram de mulheres e 40% de homens.  O estado campeão em notificação é São Paulo com 516 casos. Porém, o próprio Ministério aponta que os casos são sub-notificados.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), um ambiente de trabalho negativo pode levar a problemas de saúde física e mental de trabalhadores, além do uso abusivo de drogas e álcool, faltas e perda de produtividade. A organização estimou que transtornos depressivos e ansiedade custam 1 trilhão de dólares à economia global a cada ano com a perda de produtividade. 

O bullying e o assédio são os principais estressores relacionados ao trabalho. Outros fatores de risco identificados são o medo de perder o trabalho, o tipo de trabalho realizado, as competências dos funcionários, o ambiente organizacional e de gestão, o apoio recebido pelos trabalhadores para realizarem suas funções, a falta de comunicação, jornadas de trabalho inflexíveis, a falta de clareza nas tarefas, entre outros. 

Segundo a OMS um ambiente saudável para trabalhar é aquele em que funcionários e gestores buscam ativamente a promoção e proteção da saúde, segurança e bem-estar do trabalhador. Para isso, é necessário que empresas invistam em tornar o ambiente mais saudável, entendam às necessidades de seus funcionários individualmente e informem como eles podem buscar ajuda dentro e fora da organização. 

A valorização dos funcionário também é importante para promover a saúde mental. Oferecer oportunidades de crescimento, como cursos e promoções, salários melhores e benefícios reafirmam a importância do funcionário para a empresa dando sensação de segurança e estabilidade. Dar maior liberdade de atuação, promover a criatividade e apostar em lazer e qualidade de vida, como folgas, também contribuem para que o trabalhador se sinta melhor. Investir em saúde mental não é gasto, é ganho. 

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo  surgiu em 2015 e é uma campanha criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para a conscientização e prevenção ao suicídio. O mês de setembro foi escolhido, pois países do mundo todo adotam o dia 10 como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O amarelo foi selecionado, segundo o site do CVV, pois é uma cor que simboliza a luz, o sol e a vida. 

Durante todo o mês, monumentos públicos e instituições privadas colocam o amarelo em suas fachadas para dar visibilidade a causa. Segundo a OMS, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida no Brasil. No mundo, a cada 3 segundos há uma tentativa falha de suicídio e a cada 40 segundos há uma definitiva. Cerca de 1 milhão pessoas se matam a cada ano no planeta. 

Ainda segundo a OMS, 90% dos suicídios seriam evitáveis se as pessoas recebessem o tratamento adequado, já que a grande maioria dos casos está relacionada a distúrbios mentais, como a depressão, a bipolaridade e uso de substâncias. Segundo o site do Setembro Amarelo tirar a própria vida é um fenômeno complexo, mas é necessário reconhecer sinais de alerta para salvar vidas.

Isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividades de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite e frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer”  podem sinalizar necessidade de ajuda. “ O suicídio é um ato de comunicação. Quem se mata, na realidade tenta se livrar da dor, do sofrimento, que de tão imenso, parece insuportável” ressalta o site.

Precisa de ajuda?

Você pode encontrar ajuda gratuita não só no Setembro Amarelo, mas durante todo ano. O CVV atende pessoas pelo telefone 188, que funciona 24 horas e sem custo,  pessoalmente (nos 110 postos de atendimento) ou pelo site www.cvv.org.br, por chat e e-mail. O CVV realiza mais de 2 milhões de atendimentos anuais e conta com  aproximadamente 2.400 voluntários treinados localizados em 19 estados mais o Distrito Federal.